Parece
que quando menos queremos,
é quando tempo passa mais rápido. Sexta-feira já havia acabado dando vez ao
sábado, o dia de partida da minha irmã.
Era de manhã, ela
havia me acordado pedindo ajuda para terminar de arrumar as coisas dela. Sem
protestar, tive que ir. Ela fez umas cinco malas, a maioria apenas com kit de
emergências e essas coisas. Tive que me segurar para gritar um simples
"Não vá, eu não quero que você seja machucada", mas apenas pensando
na bronca que eu levaria, calei a boca.
Ao final da tarde,
meu pai e eu estávamos na porta, esperando Harry chegar. Ele parecia ter os
mesmos pensamentos que eu, com medo de perder ela. Chegamos até a conversar
sobre como parar minha irmã, mas ela e minha mãe estavam empolgadas como
assunto.
As vezes noto que,
por aparência, eu realmente me pareço mais com minha mãe, com cabelos castanhos
e ondulados. Já minha irmã se parece mais com meu pai, com os mesmos cabelos
lisos e pretos, mas os do meu pai já estavam ficando cinza por conta da idade.
Nós duas temos os olhos de meu pai, que é um
castanho-tão-escuro-que-parece-preto, o rosto também. Mas levando em
consideração à personalidade, eu sou uma cópia de meu pai. Somos dois
reservados, preocupados, gostamos de ler os mesmos livros, somos mais calmos e
desastrados, entre várias outras coisas. As vezes ele diz que vê a si mesmo em
mim. Já minha irmã é igual á minha mãe, tirando que minha mãe fala (muito)
palavrões e que minha irmã costuma ter o humor melhor que o dela. Mas as duas
são cabeças-que te que perdem o controle facilmente, aberto, sinceras (até
demais) e dizem ser diplomáticas, mas só sabem comprar briga.
De qualquer jeito, eu
amo e sempre amei as duas, por mais que eu me chateio muito facilmente com
elas. Minha mãe é tipo uma irmã para mim, já minha irmã é como uma mãe. Certo
que às vezes essas posições trocam.
Voltando a história,
minha irmã pulou para fora da casa com as malas, sendo ajudada pela minha mãe.
As duas conversavam animadamente sobre como seria ficar duas semanas liderando
um pequeno exército da fronteira. Eu e meu pai nos entreolhamos, entendendo o
pensamento de preocupação do outro. Ele virou para mim, sério.
- É melhor deixarmos
que ela siga a vida dela. - ele falou, em espanhol, óbvio - Ela já é grande,
tem seus próprios planos. - suspirou - Só me prometa que não vai fazer uma de
suas loucuras e ir atrás dela. - ele riu, com seu senso de humor.
- Tá... Eu prometo...
Eu acho... - falei pausadamente.
Continuamos vendo as
duas mulheres colocando a mala na frente e se sentando para conversar.
- Você... Você quer
ir com ela, né? - meu pai perguntou.
- Eu só quero
proteger minha irmã - suspirei - e provar que eu não sou inútil... Fala sério,
até Harry acha isso de mim... - falei essa parte mais baixa, com a intenção
dele não ouvir.
- Quando foi que eu
disse que você é inútil? - meu pai passou o braço pelo meu ombro, me puxando
para um abraço - quem fala isso são os outros, são pessoas que... Bem, deixe eu
te explicar - nós dois sentamos - para se construir um prédio, você primeiro
precisa de uma base, certo? - concordei com a cabeça - bem, desde que eram
crianças, as pessoas que falam ou falavam isso para você, ou que ao menos te
tratavam assim, são pessoas que tiveram algum defeito nessa base, o que
danificou a estrutura do prédio. Isso significa que essa base teve impactos com
o futuro da pessoa, fazendo-a pensar assim de você para que você se sinta inferior
e que ela se sinta superior. Você entendeu?
Concordei - mas e se
eu quiser refazer essa estrutura? Eu sou capaz disso!
Meu pai sorriu - eu
sei que é, mas para você refazer essa estrutura você primeiro tem que mudar a
base. Você pode modificar a estrutura, esticá-la, pintá-la, quebrá-la, mas
nunca ficará perfeito. Mas se quiser fazer algo extravagante, terá que retirar
o prédio desde a base, e recomeçar passo a passo, o que vai custar caro.
-Hum... - olhei para
o céu. Por incrível que pareça, essa é uma conversa normal entre nós. O nome do
meu pai é Milton, gostamos bastante de refletir sobre essas coisas juntos. Eu
considero meu pai um tipo de exemplo para mim, ele é inteligente e sábio, me ensina
tudo o que pode e que não pode, e é uma das poucas pessoas que tem orgulho de
mim. Mas eu gosto disso, se ele é uma minoria dessas tais pessoas, eu tenho
certeza de que não é uma minoria falsa. Bom, ele é médico, para ser mais exato,
cirurgião geral. Às vezes nos tempos livres nos sentamos com um livro de
medicina e ele me explica algumas coisas mais básicas, para que eu vá
entendendo de pouco em pouco, bem, somos duas pessoas de pensamentos divagarem,
mas, exatos.
Meu problema é que
eu sou horrível em me socializar. Fico nervosa e não consigo expressar o que eu
penso ou sinto, acabo falando besteiras, exagerando, bancando a burra idiota,
repetindo palavras ou falando coisas nada haver com a outra, por isso, prefiro
escrever, tenho tempo para pensar em que palavras usar e como fazer que a
pessoa entendesse de verdade o que se passa pela minha mente.
Vou parar de usar
essa história para explicar como eu sou (bem, por enquanto), e vou me focar
mais no que acabara de acontecer.
Eu e ele ficamos observando
o pôr-do-sol no horizonte, quando ouvimos uma trombeta tocar várias vezes. Era
a hora. Fomos andando até a rua principal, que dava direto ao castelo de Harry,
o lugar onde eu fui parar quando me transformei nesse ser. Na frente do
exército, Harry andava pela rua com as asas esticadas, s multidão aberta que se
encontravam em nas laterais. Ele andou até um ponto, onde virou e subiu em uma
rocha misteriosa, ficando de frente com seu povo, ele se sentou e as trombetas
cessaram.
- Hoje iniciaremos a
defesa da fronteira. - ele começou, com a vos alta e clara - Parte de nossa
patrulha ficara pelas fronteiras, em defesa. Temos 98% de segurança dentro de
nosso território garantida. - e tossiu - a patrulha de defesa ficará em seus
devidos lugares, já, as patrulhas de exploração, que descobrirão a causa dos
ataques e da vontade pelo trono, será liderado por Daniella. - ele lançou um
olhar para a minha irmã, que sorriu orgulhosa. Senti um frio na barriga - peço
que você me siga depois desta reunião. - ele retomou o assunto - foram
instaladas câmeras que filmarão as cenas, que serão passadas na tevê e no telão
a partir das 08h00min da noite. Eu irei com os exércitos e comandarei de longe.
Por enquanto não há o que temer.
As trombetas tocaram
novamente, iniciando o final da reunião. O exército começou a marchar pela
floresta em direção à fronteira. Harry, ao invés de guia-los, ficou parado,
esperando minha irmã, ignorando os aplausos dos gatos.
- Tchau mãe, tchau
pai! - minha irmã deu um abraço rápido neles.
- Se cuida,
Daniellita. - meu pai deu um beijo em sua testa.
- Até logo querida!
- minha mãe sorriu no seu raro bom-humor, que infelizmente não durou para
sempre - Você já pegou seu casaco? Você não pode esquecer o casaco, está frio, em?
Aproveita e leva dois. - minha mãe entregou o seu agasalho para a minha irmã,
parecendo nem sentir a neve em seus ombros. - não quero você gripada. - minha
irmã deu um sorriso sem graça, aceitando o casaco. Olhe a ironia, para a minha
ela está tudo bem Dani ir lutar com assassinos sedentos de sangue sem piedade
que procuram vingança, mas não pode esquecer o casaco, pois pode pegar um
resfriado. Minha mãe rapidamente virou o rosto para mim, com os olhos
flamejantes - E você... - aquilo soou meio alto demais - já bebeu á-
- JÁ, JÁ BEBI! NÃO
ESTOU COM SEDE! Por favor, não me faça tomar outros três litros de uma vez! -
implorei, praticamente de joelhos.
- Hum... - ela
pareceu analisar a situação - eu não te vi bebendo. - ela tirou uma garrafa de
água seja lá da onde e começou a me fazer tomar tudo de uma vez. De novo.
Depois de um minuto
convencendo minha mãe que eu já tinha ingerido algum líquido, foi minha vez de
me despedir da mina irmã.
- Tchau, pirralha. -
ela bagunçou meu cabelo - você pega o conteúdo das minhas aulas com minhas
amigas para mim?
- S-sim! Pode deixar!
- tentei ser o mais natural o possível - ei Dani... - ela me olhou, confusa -
você promete voltar, certo?
Ela riu, me abraçando
fortemente - claro que sim, Mona. - ela deu um beijo em minha testa - vou
sentir sua falta.
- Eu também... -
falei baixo.
- Estou indo,
pirralha, se a Íris te irritar de novo pode me ligar que eu venho voando apenas
para socar a cara dela, certo?
- Certo. - sorri,
pela primeira vez no dia. Fizemos nosso toque que temos desde que eu tinha cinco
anos como uma despedida.
- Até mais... - ela
começou a seguir Harry, se afastando, senti meu coração doer nesse momento. A
cada passo que ela dava era mais um caminho ao perigo. Mas não podia fazer
nada, por enquanto.
Aos poucos, junto ao sol, ela se pôs.
Eu havia ido dormir
na casa de meu pai, esperando conversar sobre o assunto com ele e ler um pouco
de medicina. Ele parecia mais tranquilo, como se tivesse se acostumado com a
ideia da própria filha arriscando a sua vida. Mas isso já não era o que mais me
incomodava, o que eu estava pensando era, por que Harry apenas dirigiu-se para
a minha irmã e me ignorou completamente? Por que a minha mãe é mais protetora
comigo e confia mais na minha irmã? Será que os outros me consideram tão fraca
assim?
- Pai, - parei ele –
você me acha fraca?
-E-eu? Não! – ele
pronunciou num espanhol gaguejante – eu não te acho fraca, por quê?
- Porque... –
suspirei, pensando se eu realmente devia falar aquilo – porque todos preferem a
Dani.
- Não é que a
preferimos – ele sorriu – é que ela é mais velha, tem mais conhecimento e
habilidades, além do mais, é uma ótima pessoa! É extrovertida, extravagante,
bonita, estudiosa, sabe jogar vôlei, dança balé, nada bem... – e ele começou a
dar uma lista de coisas em que ela é melhor que eu, uma lista que nunca ia
acabar se eu não tivesse o interrompido.
- Tá pai, eu já
entendi o que você quis falar. – falei secamente, começando a dar passos
rápidos para chegar mais rápido em casa. Não lancei nenhum olhar para ele.
Abrimos a porta, eu
estava indo direto para meu quarto para não ter que olhar para o rosto dele,
sentido uma inexplicável raiva, mas meu pai me parou.
- O que você quer
comer? – Ele disse, me chamando para ir para a cozinha.
- Nada. – bufei –
estou sem fome.
Eu já estava me
virando para seguir meu caminho de volta ao meu quarto, mas ele me parou de
novo.
- Ouça, a última
coisa que eu quero é que você sinta raiva de Dani por causa disso – seu sotaque
peruano começou a irritar meus ouvidos, não sei por que, eu nunca senti raiva
disso nele – meus irmãos também às vezes se mostravam serem melhores que eu em
algumas coisas.
- Para você, dizer
isso é fácil – reclamei – você é o irmão mais velho, você podia mandar neles
quando quisesse, e ainda era o preferido.
- Não era bem assim
– meu pai começou a se enrolar. Ele tentou disfarçar colocando água na panela
para começar a preparar uma sopa – eu... Sua irmã... Tipo... Ela às vezes se
mostra um pouco mais... Sabe... Forte...
Aquele foi o meu
limite – Então você prefere minha irmã TAMBÉM? – dei ênfase na palavra – então
vá lá atrás dela, continue dando apelidos carinhosos para ela e esqueça-se de
mim que nem os outros! – cuspi as palavras nele, corri para o meu quarto no
segundo andar e me tranquei-me. Fingia que não ouvia meu pai do outro lado da
porta, pedindo para que eu abrisse.
Suspirei e apoiei minha
testa em meus joelhos, abraçando minhas pernas. O fato de minha irmã ser melhor
que eu não significa que ela tenha que ser mais amada que eu. Todos sempre a
preferiam desde que éramos pequenas. Isso sempre me deu um tanto de inveja que
eu controlei por muito tempo.
Não tinha vontade de
chorar, nem de socar alguém. Não sabia o que queria, nem como provaria não ser
uma inútil. Levantei-me e coloquei o ouvido na porta, meu pai já havia ido,
talvez fosse terminar a sopa e depois ia voltar a tentar me chamar. Fui andando
lentamente até uma janela, apoiei meus braços sobre ela e deitei minha cabeça,
observando a lua. Ao longe, se via a Terra. Doce Terra que eu sentia tanta
falta.
Acabei perdida nos
meus pensamentos, observando o luar. Eu tinha começado a me acalmar, comecei a
pensar em fugir de casa e ir para a guerra, voltar de lá com um troféu e
esfrega-lo na cara de todos. Dei um sorriso, pensando naquilo. Estava
novamente, tudo tão calmo, tão relaxante...
-BOA NOITE! – uma
garota apareceu na janela, gritando alto o suficiente para me dar outro susto e
me fazer cair no chão, tremendo – Eu voltei! Umbreona aqui! Haha! Você tinha
que ver sua cara! – ela começou a rir descontroladamente, entrando pela janela.
- Umbreona! – outra
garota atrás dela apareceu, ela tinha os pelos loiros e olhos roxos. Era
Viviane – Eu te disse para não assustar a garota, parece até que ela viu um
cachorro! – ela pulou também pela janela, estendendo a mão para me ajudar a
levantar.
- O que vocês estão
fazendo aqui? – me levantei, temendo – e como vocês sabem onde meu pai mora? E
quem convidou vocês para vir aqui?
- Bem, é uma longa
história... – Viviane mexeu a orelha, desconfortável.
- Estávamos na
multidão quando vimos você triste e eu forcei Viviane a te seguir, viemos parar
aqui e descobrimos que você mora aqui com seu pai – Umbreona começou a falar
rapidamente, sem deixar vez para a outra falar – Ah, e nós nos auto convidamos.
- Não. – Viviane
começou – Você se auto convidou, eu só se segui.
- Que feio – Umbreona
começou a rir – aparecendo aqui sem ser convidada nem por você mesma!
- Cale a boca! Foi
você que-
- Okay okay –
separei as duas – olhem, eu não quero ser grossa nem nada, mas, eu acho melhor
que você me deixem sozinho por hoje. – comecei a empurrar as duas de volta para
a janela – muito obrigada pela preocupação e tal, e gostaria que avisassem ao
grupo que eu vou ficar fora por... Duas semanas. – elas pararam – tenho uns
assuntos para resolver
*Isso foi tudo o que salvou, mas aqui está o resumo: Umbreona encontra umas fotos da Mar humana e mostra para Viviane, as duas descobrem tudo e acusam Mariana, ela convence que de não é nenhum tipo de "humana má" e volta e ser sua amiga, ai ela explico o que planejava fazer fugindo e as duas resolvem ir com ela, chamando todo mundo sem sua permissão e mais três deles (novos personagens, "Angel" pela RosePetal, "Binku" da WildStripe e "Amanda" da minha amiga Isabel), então já vo revelando, o nome daquele gato que a Mar tinha derrubado o suco é "Simon" e ele vai apresentar seu irmão menor "Luke", a Bolt (da Hawky) vai apresentar o irmão caçula dela, o "Akira" e ia rolar altas tretas, desconfianças, o casal (no no caso é SimonxMar, mas os dois se odeiam huehue ou pelo menos apenas a Mar odeia ele, ou idiava, ou nunca odiou só tinha medo de admitir tais coisas hehe) então, eu juro que tinha ficado orgulhosa de mim mesma quando eu escrevi isso tudo mas esse computador lindo ferrou minha vida S2 também te odeio seu bugado <- nota pro meu pc. Well, espero que tenham apreciado pelo menos como seria a continuação ;-; vou fazer o cover do primeiro capítulo agora
bye~
Lol esse cap!!
ResponderExcluirMdssss que saco você deve ter passado!! Vei, só imaginando sua raiva @-@